Nada.
Nada sou
Além de um
Extrato meu de
Mim mesmo.
Egoísmo compreendido
Na forma primordial do ser.
Sou eu o que eu penso.
Nesse segundo o que eu penso é:
Amor.
Por H.O.
Nada.
Nada sou
Além de um
Extrato meu de
Mim mesmo.
Egoísmo compreendido
Na forma primordial do ser.
Sou eu o que eu penso.
Nesse segundo o que eu penso é:
Amor.
Por H.O.
Soturnas são as luzes
Dançantes, variantes
Todas elas
Sob as pálpebras
Mortas de canseira
Que guardam os globos
Misóginos de claridade.
São focos de sonambulismo
Lúcido e atormentador.
É sono que não se dorme
Na ânsia de se descrever,
É desejo vicioso contido por dias
A se rastejar às roucas pela
Pauta muda e contínua e sedenta.
Ela é silente, viva com cobrança
Revolucionária* para que os velhos
Ventos atemporais retornem;
Fúria cardíaca bombeia sua pulsante
Agonia de e para ela mesma,
Que infla, se distribui e possui.
Se entregue, o jeito é escrever.
*Ver Bauhaus
Por H. O.
Lâminas helicoidais
Descem pelos
Telhados e pelas
Sombras que
Estes fazem às
Luzes do altivo
Candeeiro central.
Correntes límpidas
Descem como
Negros fluidos,
Espessos,
Nessa projeção.
Sentam-se sob
Elas e ao som
Dos pingos nos
Nos telhados ferrosos
Os donos da
Considerada
Cafeteria, conforme
Os antigos faziam.
Abrigados,
Embriagam-se,
Testa-a-testa,
Ensimesmados,
Com léxico arejado,
Alheios à paisagem
Que encaram do
Camarote como
Qualquer tripulação.
Conforto.
Não obstante
Poltronas são chapas
Duras de concreto,
Paredes são os véus
Noturnos e os pedidos
São feitos às faces
Estranhas que trajam
Loucura.
Por H.O.
Manhã.
Sol nos Lambe
Os pés.
O incômodo dos raios
Nos desperta.
A fadiga do
Amanhecer
Abraça os
Músculos.
As mentes
Comandam,
Os corpos não
Obedecem.
Fios de cabelo
Douram nosso Palco.
Traços motores
No lençol
Acusam e
Compõem a
Gramática da noite.
Dilatam-se as formas
E berram as últimas
Gotas de sono.
A visão se apropria
Do ensejo matinal.
Olhares se tocam
E bocas se beijam
Um “bom dia”.
Por H.O.
Representações
Gráficas
Dos fonemas.
Letras.
Símbolos
Concatenados
Uns aos outros
Formando corpo
Lógico.
Vocábulo.
A pronúncia, a
Constituição e a
Escrita da
Palavra.
Conjunto de sons
Articulados em
Sílabas, que
Costuradas
Constituem uma
Significação.
Os sons encarcerados
Em signos sistematizados,
Inter-associados,
Distribuídos
Em superfícies
Lineares
Configuram
Busca lógica por
Semasiologia harmônica,
Pois dissimulam
Fonética em texto
Que a língua
Simultaneamente
Liberta e não
Ousa lamber.
Beleza.
Por H. O.
Voltou o
Rastro –
Fragmento
Esboçado de
Signos ordenados
Com fins líricos –
Da caneta-tinteiro
Que melhor encharca
De meu sangue
As vênulas dos papéis.
O rascunho
Alimenta apenas
A tão cara
Pele poética
Enquanto seu
Produto deve,
E vai, preencher
A mim.
A pleonastia
Da doença, que
Em linhas passadas
Descrevi,
Tomou-me o
Nanquim.
Como músculo
Deve a arte –
A minha – ser
Tratada.
Como força
Exercitada que
Merece descanso
Após tempos de
Suor trabalhado;
Para que tal
Massa, paciente,
Se enrijeça.
Os dias de
Nula brancura
São, enfim, maculados
Pelo rasgão – a cura –
Feito pela ferramenta
Do insistente
Escriba.
Por H. O.
Goiânia, 23 de dezembro de 2009 às 03:45
Infortúnio
Das manhãs
Acinzentadas,
Medíocres e
Amareladas
Pela
Companhia do
Tabaco.
De novo.
A roupa de
Cama clama
Por amassos
E gotas de
Maquiagem
Escorrendo
Em suores de
Outro corpo.
Feminilidade
Desabraça
Essas vãs
Horas matinais.
A fumaça
Tragada sai
Em rajada
Fede e se
Vai...
Foi.
Não é uma
Companheira
Que se preze.
O amarelo
Do dia só
Banha
O filtro de
Morte do
Cigarro.
Preciso, sim
Da amarelidão
Não-tabagista,
Do calor
Oriundo de
Práticas
Humano-amigáveis.
Amor, convivência
E sexo; por que não?!
O carinho acumulado,
Endereçado, não enviado,
Emascula o levantar dos
Meus dias.
Encastelam-se em
Beijos exasperados
E desesperados de
Amor.
Sento, me aprumo.
Meus lençóis são
Um silêncio de duas
Vozes.
Uma está a lhes faltar:
"Estou indo te buscar".
Terça-feira, 10 de novembro de 2009
H.O.
Deixe que
O abraço absorva
Vagarosamente
Os esporádicos
Espasmos tranqüilos
De verdade.
Deixe.
Que a sinceridade
Se transferira
De corpo em chacoalhadas
De respiração,
Em arrepios
Espinhais;
No encontro de olhares
E na gentileza
Com que os fecha.
Deixe que
Sua cabeça
Desça levemente
Ao meu colo;
Repouse;
Enquanto
Grãos de pólen,
Folhas e meus dedos
Acariciam seus cabelos
A favor dos matinais
Sopros de vento.
Respire fundo.
Deixe que
O ar toque
Todos os capilares
De seus pulmões.
Na saída do ar,
Deixe que
Saiam as difíceis
Palavras
que lhe entalam
A glote.
“Eu te amo”.
É a sentença
Que você pensa
É a sentença
Cuja essência
Você sente
É o que você
Deve dizer.
Disse.
Pelos eriçados
Levam seu dizer
Ao meu ouvir,
Ao meu entender,
Ao meu dizer;
Retruco:
Eu também te amo.
Por H.O.
Tudo
Que passa
Minuciosamente
Por entre as pálpebras
É detestável.
Você sabe.
Cercas idióticas
São confeccionadas
Sem cessar.
Set,
Após tomar posse
De sua parte da ampulheta,
Deve fazer com que
Buracos
Pareçam rachaduras
Ordinárias;
Preenchendo lacunas
De curiosidade
Com cegueira.
Feitos,
Que, na História,
Entalham,
Melhor, cauterizam,
Com mentes egoístas
E mentirosas palavras
Incandescentes,
O nome da incompetência.
O Insatisfeito,
O Inquieto – Banhado
Em desejos
Pessoais,
Como todo fruto
Da humanidade -,
Por não deixar
Que o Conformismo
Lhe costure a visão,
Pode ter uma chance
De soprar a maquiagem,
Revelando,
Para si,
O rosto imperfeito,
Da Realidade.
A comunicação
Intra-neural
Falha.
Incapazes,
Acorrentados,
De se mover,
Não espalham,
Os neurônios,
Pelo físico,
A cinética
Responsável
Pela iluminação
Das idéias.
Bloqueios.
Folhas em branco vazias,
Caneta sonolenta,
Mãos e idéias raciocínios
Confusos
Se fazem sintomas
Inerentes
À periódica
Patologia,
Cujos oficiais
Das letras
Configuram suas
Vítimas prediletas
Por H.O.
Mais um.
Um dia inteiro...
Foi-se.
Passou
Com típica
Velocidade
Dos mais
Gostosos
Ponteiros.
Trapaceiro
Se configura
O relógio,
O bom acelera,
Atrasa o ruim,
Emperra os segundos;
Obrigados
Se movem aos
Arrastos.
Bem aceita é
A teoria de que
Nosso dia, como
Nenhum, teve
Apenas
Vinte e quatro segundos,
Caracterizando
Injustiça para
Com o amor
Seu e meu.
H.O.
Posto fosse
Tarde
Hei de deitar-me
Junto a
Meus
Pensamentos;
Como
Sem erro
Me recolho
Às noites.
Penso em
Pensamentos
Já pensados.
Seu conteúdo
Foi há muito
Não ad, mas
Absorvido.
Solilóquios:
Formados
Como se
Os travesseiros
Falassem como
Companheiros
Aos meus
Ouvidos.
Enquanto
Velo a penumbra
A preencher
Meu momento,
Admiro eu
A conjetura
De o vulto
Seu
Acomodar-se
Ao lado
Meu
Através
Das noites doravante.
Nó-sego
Ata
Uma a outra
Nossas intensões,
Beijos,
Amores,
Vontades,
Defeitos,
Temores.
E assim
Desprender-me-ei
Jamais.
Cumplicidade.
Cai a noite
Que janela
Permite argêntea
Entrada:
Consumamo-nos
Nós dois;
No que muitos
Consideram
Impossível.
Por H.O.
”Tudo isso é um castelo no ar” – Machado de Assis – Helena
Engrenagens
Paradas,
Danificadas
Como em
Cãibra férrea,
Recheada de
Ligas de aço
E carbono,
Roçam-se
Umas às outras.
Atiram-se
Em vãs
Tentativas,
Espanadas,
De fazer
O sistema
Concretizar
Seu propósito
Com plenitude.Óleos variados
não circulam
Por entre os
Dutos, vários,
Multifuncionais,
Apenas os unta;
Os mela com
Pressão escassa.
Ineficácia.
Eletricidade se
Esperdiça através
Das fiações que,
Pelo decrepitude
E míngua de
Manutenção,
Corroem-se
Mútua e
Simultaneamente,
Tentando reanimar
A lataria defunta.
O tempo é a
Única máquina
Cujo complexo engrenal
Não falha.
Conta com exatidão
As décadas de ócio
Que o engenho
Mofou em sua
Curta vida.Essa greve
De utilidades
Apresenta a
Sentença
Irrecorrível.
Metabolismo
Orgânico natural
Haveria de
Nutrir-se
De suas entranhas
Enfermas e fracassadas.
A impossibilidade
É um problema;
Reciclagem,
Uma
Breve
Solução.por H.O.
À beira da estrada.